Caleo´s quote of the day:

Um bom lugar para começar é de onde você está. (Arthur Bloch)
Caleo
09.07.10

Perguntas e recortes...

1165 visitas

Que misérias são as que vemos e ouvimos, que já não nos tocam como deveriam, banalizadas na informação como produto de consumo e não de reflexão, transformando-nos em espectadores, passivos, de nada mais do que um filme ruim?

As misérias do mundo estão aí, e só há dois modos de reagir diante delas: ou entender que não se tem a culpa e, portanto, encolher os ombros e dizer que não está nas suas mãos remediá-lo — e isto é certo —, ou, melhor, assumir que, ainda quando não está nas nossas mãos resolvê-lo, devemos comportar-nos como se assim fosse. ("Responsabilidade", J. Saramago)

O que andamos aqui a fazer, senão com os mesmos olhares de ontem, de antes de ontem, do ano passado?

Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro. ("Cada vez mais sós", J. Saramago)

Que esforço de educação, nós, pais, exemplos maiores do que a melhor e mais renomada escola, estamos fazendo perante nossas ingênuas crianças, asfixiadas por uma sociedade que valoriza a superficialidade?

Resulta muito mais fácil educar os povos para a guerra do que para a paz. Para educar no espírito bélico basta apelar aos mais baixos instintos. Educar para a paz implica ensinar a reconhecer o outro, a escutar os seus argumentos, a entender as suas limitações, a negociar com ele, a chegar a acordos. ("Educar para a paz", Israel vive às custas do Holocausto, J. Saramago)

Que queremos das pessoas? A frágil segurança de sua superficialidade, que nos empaca, ou o turbilhão de sentimentos de sua essência, que nos assusta, mas nos move adiante?

Nós estamos a assistir ao que chamaria de morte do cidadão e, no seu lugar, o que temos, e cada vez mais, é o cliente. Agora já ninguém te pergunta o que pensas, agora perguntam-te que marca de carro, de roupa, de gravata tens, quanto ganhas… ("Cidadãos, não clientes", J. Saramago)

Almejamos o céu, paraíso das almas, cercados na terra de muitos que nos dizem saber como lá chegar, mas nos lembramos de que é aqui que estamos acompanhados e que nenhuma viagem é boa quando se faz sozinho?

Aceitemos então que estamos sozinhos e, a partir daí, façamos a nova descoberta de que estamos acompanhados – uns pelos outros. Quando pusermos os olhos no céu estrelado, com a furiosa vontade de lá chegar, mesmo que seja para encontrar o que não é para nós, mesmo que tenhamos de resignar-nos à humilde certeza de que, em muitos casos, uma vida não bastará para fazer a viagem – quando pusermos os olhos no céu, repito, não esqueçamos que os pés assentam na terra e que é sobre esta terra que o destino do homem (esse nó misterioso que queremos desatar) tem de cumprir-se. Por uma simples questão de humanidade. ("Questão de Humanidade", Deste Mundo e do Outro, J. Saramago)

Aceitamos, resignados, que nossos desejos pelo intangível não foram e não serão satisfeitos? Que essa busca é a essência do nosso ser, que nos move, e que não poderá ser finalizada ao risco de inexistirmos e que, por isso, não podem nossas frustrações ser justificativas para nossa violência?

O homem é um ser que procura. O que caracteriza o ser humano é a necessidade de procurar e procurar por distintos caminhos, que podem ser contraditórios. Não sabemos se encontramos e não sabemos se o que encontrámos é alguma vez o que estávamos procurando, ou se não há mais o que procurar depois de haver encontrado algo. Portanto, somos seres de procura. ("Procurar", A escrita como uma tomada de consciência, J. Saramago)

Fizemos os esforços, diante das divergências, a todo custo, de buscar o diálogo? E que este, uma vez esgotado, cedeu lugar ao silêncio, que por sua vez, exaurido, deu uma última chance à indiferença, antes de sucumbirmos à violência física ou verbal? Demos espaço à reflexão para vencer nossa intransigência?

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma. ("Pensar, pensar", J. Saramago).

"Respostas" de um ateu.

São mais nobres e generosos nossos pensamentos fraternos, suportados na crença de um Ser superior, severo e amoroso, que nos ensina o que é certo e errado, ou daqueles que os têm forjado na observação do mundo, baseados apenas no fato de sermos humanos e que isso basta para nos respeitarmos?

:idea: Caleo´s quote of this day:

Trocaria, se pudesse, toda minha tecnologia por uma tarde com Sócrates. (Steve Jobs)

No feedback yet

Deixe seu comentário


Your email address will not be revealed on this site.

Sua URL será exibida.
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Name, email & website)
(Allow users to contact you through a message form (your email will not be revealed.)
chat com caleo>
Setembro 2010
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
 << <   > >>
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30    

"Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra..."

Busca

b2