Caleo´s quote of the day:

Chore com alguém. Cura melhor do que chorar sozinho. (Regina Brett)
Caleo
13.11.08

O Deus de Espinosa

1243 visitas

Espinosa e Deus na criação de Eva, enquanto Adão dorme (capela Sistina, Michelangelo)

Nota: não quero aqui levantar polêmicas sobre a crença em Deus, mas apenas apresentar uma visão diferente, espero, desprovida de dogmas. Se você considera que os pensamentos de Albert Einstein trouxeram algum valor para a humanidade, acho que deveria conhecer um pouco mais sobre a visão do Divino do filósofo Espinosa, na qual Einstein acreditava.

"A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original" - Albert Einstein

Em relação aos inúmeros questionamentos que recebeu se seria ou não ateu, certa vez, quando perguntado se acreditava em Deus, Einstein respondeu: "Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na harmonia ordeira daquilo que existe, e não num Deus que se interesse pelo destino e pelos atos dos seres humanos."

Em um próximo post, apresentarei alguns pensamentos de Einstein sobre Deus.

Bento de Espinosa

Bento de Espinosa (Benedictus de Spinoza) foi um dos grandes filósofos racionalistas do século XVII. Foi profundo estudioso da Bíblia, de obras religiosas judaicas e de filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles, Demócrito, Epicuro e Lucrécio.

Foi excomungado pela Igreja devido aos seus pensamentos em relação a Deus. Espinosa ficou considerado como maldito por muitos anos após sua morte. Quem recuperou sua reputação foi o crítico Lessing em seus diálogos com Jacobi em 1784. Na seqüência, o filósofo foi citado, elogiado e inspirou pessoas como os teólogos liberais Herder e Schleiermacher, o poeta católico Novalis, o grande Goethe.

Em Haia, onde morreu, foi construído um monumento em homenagem a Espinosa, assim comentado por Ernest Renan em 1882:

“Maldição sobre o passante que insultar essa suave cabeça pensativa. Será punido como todas as almas vulgares são punidas – pela sua própria vulgaridade e pela incapacidade de conceber o que é divino. Este homem, do seu pedestal de granito, apontará a todos o caminho da bem-aventurança por ele encontrado; e por todos os tempos o homem culto que por aqui passar dirá em seu coração: Foi quem teve a mais profunda visão de Deus”.

A visão de Deus de Espinosa
Espinosa defendeu que Deus e Natureza eram dois nomes para a mesma realidade. Ele afirmou que Deus sive Natura ("Deus ou Natureza" em latim) era um ser de infinitos atributos, entre os quais a extensão (sob o conceito atual de matéria) e o pensamento eram apenas dois conhecidos por nós.

Deus não é entendido por Espinosa como um Ser à parte e/ou externo ao mundo, que o governa como um engenheiro ou habilidoso artesão, mas como, de forma muito sutil e holística, a Divindade da Ordem Eterna da Natureza, muito superior ao entendimento fragmentado e antropomorfista humano. É, enfim, o Grande Uno que se expressa nos Muitos a que se faz a partir de Si mesmo. Uma visão estranha ao modo ocidental, mas bem de acordo com as mais sofisticadas concepções orientais do Divino. [1]

Will Durant estabelece a seguinte comparação entre o sistema ético de Espinosa e os sistemas clássico e cristão: "hoje só subsistem três sistemas de ética, três concepções de carácter ideal e de vida moral. Uma é de Buda e Jesus, que dá preponderância às virtudes femininas; que considera todos os homens igualmente preciosos; que resiste ao mal contrapondo-lhe o bem; que identifica virtude com amor e se inclina, em política, para a ilimitada democracia. Outra, é a ética de Maquiavel e de Nietzsche, que dá preponderância às virtudes masculinas, que aceita a desigualdade dos homens; que se deleita nos riscos do combate, da conquista e do mando; que identifica virtude com poder e exalta a aristocracia hereditária. Uma terceira, é a de Sócrates, Platão e Aristóteles, que nega a aplicabilidade universal quer das virtudes masculinas quer das virtudes femininas; que considera que somente os espíritos maduros e bem informados podem decidir, de acordo com as circunstâncias, quando deve imperar o amor e quando deve imperar o poder; que identifica virtude com inteligência e advoga no governo uma mistura de democracia e de aristocracia. O que distingue a ética de Espinosa é que ela reconcilia inconscientemente essas filosofias aparentemente hostis e que as enlaça numa unidade harmoniosa e nos apresenta desse modo um sistema de moral que é o do pensamento moderno." [2]

A filosofia de Espinosa tem muito em comum com o estoicismo, mas difere muito dos estoicos num aspecto importante: ele rejeitou fortemente a afirmação de que a razão pode dominar a emoção. Pelo contrário, defendeu que uma emoção pode ser ultrapassada apenas por uma emoção maior.

Nota: acredito ser uma idéia que se contrapõe aos críticos do pensamento racionalista, para os quais essa ideologia desprezaria sempre a emoção.

A distinção crucial para Espinosa era entre as emoções que são compreendidas racionalmente e as outras que não o são.

Fontes:
[1] http://www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=618
[2] Durant, W. (s.d). História da Filosofia. (Prefácio, revisão, notas, glossário e textos escolhidos por Joel Serrão). Lisboa: Livros do Brasil, p. 182
Wikipedia

No feedback yet

Deixe seu comentário


Your email address will not be revealed on this site.

Sua URL será exibida.
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Name, email & website)
(Allow users to contact you through a message form (your email will not be revealed.)
chat com caleo>
Setembro 2010
Dom Seg Ter Qua Qui Sex Sab
 << <   > >>
      1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30    

"Chega mais perto e contempla as palavras. Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra..."

Busca

powered by b2evolution free blog software